Composta por casas com estruturas antigas e ruas de paralelepípedos, a Vila Mimosa é, hoje, uma das maiores zonas de prostituição do Brasil. Localizada na região da Praça da Bandeira, Rio de Janeiro, a Vila revela uma cidade que muitos desconhecem. Entre a Favela da Mangueira e prédios comerciais luxuosos, a Vila Mimosa está ao meio, quase uma simbolização do que é a cidade do Rio de Janeiro.

A Vila Mimosa é quase centenária, nasceu com mulheres pobres que chegavam do leste Europeu. As mulheres se estabeleceram, primeiramente, na Zona do Mangue, próxima à atual avenida Presidente Vargas, no centro Rio. Conforme a cidade se modernizava, as mulheres migraram pela cidade, se misturaram com as nativas e foram perseguidas. Encontraram um abrigo em uma vila localizada próxima aos trilhos dos trens suburbanos e distantes da visibilidade urbana. As mulheres, finalmente, permaneceram no local e nomearam o local de Vila Mimosa. Desse modo, a Vila cresceu e se tornou a maior e mais famosa zona de prostituição do Rio de Janeiro.

A zona, conhecida também como “zona do prazer”, é habitada por mulheres que trabalham com prostituição, por cafetinas e cafetões, por funcionários dos bares e motéis e, em ruas próximas, por moradores comuns. Até meados de 2016, a Vila Mimosa contava com uma unidade da Faetec que oferecia cursos para garotas de programas. No ano 2000, o projeto Dama das Camélias foi implantado com objetivo de capacitar prostitutas na confecção de chapelarias, adereços e corte e costura. No entanto, com o corte de verbas, a Faetec perdeu seu prédio e os cursos deixaram de servir a comunidade. A Faetec da Vila Mimosa oferecia 11 cursos para a comunidade.

A Associação de Moradores do Condomínio e Amigos da Vila Mimosa procura formas de resistir para continuar auxiliando a vida de garotas submetidas ao trabalho sexual. Para Maria das Graças Gonçalves, 64 anos, presidente da AMOCAVIM, “é triste que a crise esteja afetando o mínimo de dignidade que pessoas lutaram para conquistar. Ninguém acorda, espreguiça e diz: meu sonho é ser prostituta. A gente quer que as mulheres sigam outro caminho e a nossa a intenção é capacitar as meninas, para que elas tenham alternativa”.

Ao andar pela Vila, é possível ver alguns postos, montados em espécies de mini-trailers, de atendimento ginecológico e controle de saúde. Porém, segundo moradores, os postos estão desativados já há algum tempo. Os postos pertencem à comunidade e foram criados pela a AMOCAVIM. Hoje é muito difícil encontrar o prédio da AMOCAVIM, os moradores locais conhecem a Associação, mas após os cortes dizem que a instituição não age da mesma maneira.

Moradores comuns têm bastante receio em falar sobre zona de prostituição e em passar pelas ruas onde os pontos são mais fortes. É uma zona extremamente hierárquica; desde as prostitutas de luxo, as mais novas e as mais baratas e caras. Existem regras sociais da comunidade, é um espaço muito bem definido e determinado.

A movimentação de carros e pedestres começa cedo. Ainda no horário do almoço, a batida do funk ecoa de dentro dos pequenos estabelecimentos que caracterizam a Sotero dos Reis. Mulheres de todas as idades se exibem com roupas íntimas, provocando quem passa pela via

A cinzenta rua, repleta de entulhos e bueiros abertos, abriga centenas de mulheres que buscam sobreviver através da prostituição. Mulheres que vieram de diversas partes do país para a zona comercial de sexo mais famosa do Brasil e mulheres que chegam todos os dias em busca de uma nova perspectiva. Além dessas mulheres, a Sotero dos Reis é o palco de diversos bares, alguns restaurantes e pensionatos. Um cenário construído para a prostituição, que na Vila Mimosa é tida como comércio principal e mais rentável.

Turismo Sexual

Cleide Almeida, ativista e coordenadora da AMOCAVIM, diz que a presença de estrangeiros na Vila Mimosa é muito comum, principalmente durante as noites, nos bares. No entanto, a presença massiva é de homens nativos.

Segundo dados do Observatório da Prostituição, projeto do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ, apesar da presença de um número significativo de turistas (nacionais e estrangeiros) na cidade do Rio, houve um declínio no comércio sexual durante os 32 dias do evento. Dos 83 pontos de prostituição pesquisados, apenas 17 locais registraram aumento de atividade e em 6 outros pontos o fluxo de clientes foi considerado normal. Em contraste, nos demais 60 pontos, inclusive na Vila Mimosa (onde trabalham cerca de 1.000 mulheres), a queda estimada no movimento de clientes variou de 30% a 50% entre 12 de junho e 13 julho. Essa queda pode ser resultado de diversos fatores, um deles é o de que os turistas se concentram mais pela zona sul e Lapa.

Prostituição Infantil na Vila Mimosa

Em fevereiro de 2018, foi alvo de operação contra a aliciação de crianças à prostituição infantil. Segundo a delegada adjunta da Delegacia Antissequestro, Alice Cunha, há denúncias que algumas casas de prostituição da Vila Mimosa estão explorando menores sexualmente. Os anônimos dizem que, em determinados lugares, há até livros que listam as menores por idade, quanto mais nova, mais caro o programa. A operação resultou na apreensão de algumas menores presentes, mas ninguém foi preso por falta de provas. Segundo a delegada, a fiscalização continua.

Vila Mimosa enquanto comunidade familiar

Apesar da prostituição cotidiana e comum na Vila Mimosa, existe muita cautela e receio das pessoas que habitam a Vila ao falar com pessoas de fora. Olhares de desconfiança cercam pessoas curiosas e que podem apresentar algum tipo de risco. No entanto, é possível observar que a comunidade vive entre si de um modo autônomo e familiar; as pessoas costumam se conhecer e conviver bem.

Independente do que a sociedade em geral opine, a Vila Mimosa existe e resiste. É símbolo de um Rio explorado, mas, também, de um Rio que busca reinventar sua identidade dentro de suas próprias possibilidade.

despretensiosamente escrevendo e lendo sobre tudo que me interessa e geralmente qualquer coisa me interessa, principalmente tudo. adyelbeatriz.contently.com

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