Eu vou resistir, eu prometo, mas agora eu só quero chorar. E chorar. E chorar.

Quando as bocas de urnas estaduais começaram a sair, eu já previa o que viria para a Presidência. Antes mesmo de a apuração começar, decidi que não acompanharia as redes sociais. Dei-me o luxo de desligar o wi-fi, desliguei até mesmo o celular. Lavei o banheiro, lavei louça. Coloquei uma playlist chamada “O Brasil feliz de novo”. Muita inspiração, muita gente boa cantando.

A apuração começa. Minha mãe, que tinha sido mesária, chega. Eu logo pergunto o resultado da seção dela: Márcio França disparado para governador de São Paulo e Jair Bolsonaro para a Presidência da República.

Eu nutria alguma esperança de virada, confesso. Minha bolha, embora seja uma bolha, é muito boa. No entanto, minha bolha hoje parece ser muito pequena. Eu sei que não é, mas agora o que eu sinto é medo e é uma pequenez absurda. A esperança (ou ilusão) nutrida acabou ainda no começo da apuração. Eu sentei e assisti. Assistia à Central das Eleições, na GloboNews, e só conseguia pensar o que cada um daqueles jornalistas pensavam. Sei lá. Apatia.

Quando a vitória do Bolsonaro foi, finalmente, dada como certa, as câmeras se voltaram para a Praia da Barra, onde fica o condomínio do nosso próximo presidente. Muitos fogos, muito verde e amarelo, muito triste. Da minha casa, em Diadema (ABCD Paulista), eu também ouvi alguns fogos. Ninguém dizia nada. Frustração, apatia, mas muito medo. Aquelas imagens das pessoas comemorando eram violentas. Meu pai trocou de canal. Fomos para o Masterchef.

Meu celular permaneceu desligado. Estive com a minha família por essas horas, assistimos qualquer coisa. Na hora de dormir, não consegui. Coração acelerado, náusea. Eu pensei nos meus amigos e liguei o celular. Medo de alguém precisar de mim enquanto eu simplesmente fujo da realidade. Abri rede social aleatória e, nesse momento, o choro enfim veio. Veio e não vai embora tão cedo.

Eu juro que vou ficar bem, mas não hoje. Talvez amanhã também não nem depois. Uma hora eu vou, por mim e por nós.

No meio de lágrimas, esse texto sai sem pretensão e sem vaidade. Sai apenas como um soluço, um desabafo.

despretensiosamente escrevendo e lendo sobre tudo que me interessa e geralmente qualquer coisa me interessa, principalmente tudo. adyelbeatriz.contently.com

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