As Perdizes de São Paulo

Conhecida como “quintal das Perdizes” a região foi oficializada na planta da cidade de São Paulo no ano de 1897. Uma das áreas mais famosas de São Paulo abriga muita história e tradição. Perdizes, bairro da zona oeste paulista, tem esse nome por conta dos pássaros, conhecidos como perdiz, que faziam muito barulho por lá antigamente. Hoje em dia, é um dos metros quadrados mais caros do estado de São Paulo; no entanto, ele foi palco de muita história de luta e resistência.

O sino que anunciou a proclamação da Independência do Brasil, em 7 de setembro de 1822, está instalado na torre da Igreja São Geraldo. É apelidado de “Bronze Velho”, desde o tempo em que pertencia à antiga Catedral da Sé, onde permaneceu entre a sua fundição em 1820 e a demolição da catedral em 1913. Antes de chegar à Igreja São Geraldo, em 1942, passou pelo Mosteiro São Bento.

Outra marca histórica do bairro é o Tuca (Teatro da Universidade Católica de São Paulo, atual Pontifícia Universidade Católica), a partir de sua inauguração em 1965, com o espetáculo “Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Mello Neto, abriu seu palco a diversos expoentes da cultura, da academia e da política. Chico Buarque, Caetano Veloso, Nara Leão e Elis Regina fizeram shows lá. E o espaço também abrigou reuniões que tiveram importante papel de resistência à ditadura militar. Na década de 80, um incêndio destruiu o teatro e, apesar das suspeitas de que se tratou de um ato criminoso, nada ficou comprovado. O Tuca hoje é ativo e continua pertencendo à PUC, que utiliza o espaço para eventos, debates e assembleias estudantis, cursos e afins.

Perdizes resiste ainda hoje. Com o avanço da modernização, moradores tradicionais do bairro lutam para que a modernização não resulte em apagamento de memória. Memória esta que se encontra ao caminhar pelas ruas, onde é possível observar, ainda, alguns poucos casarões antigos.

Os nomes das ruas de Perdizes são, em sua maioria, indígenas. Essa tradição começou em 1897, quando a Turyassu apareceu pela primeira vez no mapa da cidade. A partir de então, nomes indígenas se tornaram comuns na região. Primeiro vieram as ruas Traipu, Itapicuru e Caetés. Mais tarde, vieram as ruas Apiacás, Apinajés, Cayowaá, Caraíbas, Cotoxó, Iperoig, Tucuna e Cherentes.

Para além da história, Perdizes é palco de vivência e memória para o agora. Alzineide Queiroz, nascida no Espírito Santo e criada em São Paulo, diz que tem um carinho muito grande pelo bairro e pelas memórias vividas ali. Ela também revela que sempre o bairro acaba cruzando o seu caminho, despretensiosamente. Alzineide já viveu muito por Perdizes, trabalho, cursos, saídas com amigos. Por isso, os bares, as árvores com flores tímidas no inverno, a Cardoso de Almeida, o metrô Sumaré: tudo remete à memória e afetividade para ela. “São Paulo é uma cidade insana e caótica, mas eu ainda encontro alguma calmaria andando pelas ruas de Perdizes. Pode ser a boemia, podem ser as memórias de quando mais jovem, só sei que Perdizes é diferente. Eu quero sempre voltar.”, se emociona Alzineide.

despretensiosamente escrevendo e lendo sobre tudo que me interessa e geralmente qualquer coisa me interessa, principalmente tudo. adyelbeatriz.contently.com

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